Sexta-feira, 25 de Setembro de 2009

 

 

 

 

A frase vem do título de um filme portuguẽs, em exibição por estes dias. É a história de um homem que vai parar ao desemprego por ter colocado a ética à frente das conveniências, por recusar o caminho fácil da vigarice. Depois de uma reviravolta na sua vida, percorre o caminho angustiante de quem vê todas as portas a fecharem-se à sua frente.
Os heróis, se os há, aparecem depois. Aparecem a lutar em cada dia para seguir em frente, na escola, no trabalho, na vida. Nas amizades, nos amores e desamores, nas rimas e nos beats. Aparecem numa precária ao fim-de-semana, ou então num campo pelado com a magia da finta. Aparecem sem emprego ou com biscates ou com esquemas, a tentar dar a volta por cima... ou pelo menos não se deixarem ir abaixo.
São heróis quotidianos que viajam ao teu lado nos transportes, que sentem a exploração a cravar-se na pele, que vão em frente porque tem de ser. Ouvem dizer que a vida é mesmo assim – uns acreditam, outros não. Estes vão sendo mais.
Aos poucos, vão sendo mais os que se perguntam se isto tem mesmo de ser assim. A vida cada vez mais dura, com mais sacrifícios, enquanto alguns enriquecem com a tal crise que nos cai em cima. Nós dizemos que a vida não tem que ser desta maneira. E connosco são cada vez mais os que dizem isso mesmo.
Não é por um qualquer azar do destino que as coisas estão assim.
Esta falta de respeito com que são tratados os trabalhadores, os jovens, os reformados, esta cultura nacional de mediocridade que se reveste de arrogância e de prepotência para se impor a um país e a um povo, tudo isto representa e traduz opções políticas concretas. A acumulação de fortunas de um lado e de dificuldades do outro é a marca de uma política de direita.

Mais do mesmo?

Não vale a pena virem falar-nos de governabilidade quando deixam ingovernável a vida das famílias, dos jovens, das pequenas empresas. Ingovernável é querer trabalhar, ter experiência e capacidade e ir para o desemprego. Ingovernável é uma reforma de miséria ter um “aumento” de quatro euros e com isso ultrapassar o valor estipulado para o apoio nos medicamentos e taxas moderadoras. Ingovernável é ter de pedir dinheiro emprestado para comprar os livros da escola para os filhos. Isso é que é ingovernável.
Não vale a pena alguém dizer que é de esquerda quando destrói, directa e activamente, dezenas de milhares de postos de trabalho. É isso mesmo que este Governo tem feito.
No início deste ano, o Governo apresentou o “Programa de Estabilidade 2008/2011”. Aí se podia ver, no capítulo da redução de pessoal na Administração Pública entre Dezembro de 2005 e Setembro de 2008, o Governo a congratular-se com «uma inédita redução líquida de 51 486 trabalhadores».
Mas, como isso ainda era pouco, lá vinha a promessa de mais desemprego: «o Governo continuará comprometido com exigentes metas de redução das despesas com o pessoal» apontando uma previsão de mais de 56 000 postos de trabalho para destruir até 2011. O programa eleitoral do PS para estas legislativas tem lá escrito, preto no branco – manter a orientação de apenas uma contratação por cada duas saídas. É esta a resposta do Governo à crise: manter o rumo de destruição indiscriminada de emprego. Esta política criminosa tem de ter um ponto final.
Ao longo destes quatro anos e meio, foram muitos os que disseram – já chega. Foram milhões de pessoas fartas de serem pisadas, que demonstraram na prática, na vida real, que é possível sacudir a resignação, erguer a voz, mostrar a força que temos quando estamos unidos.
Temos o direito de dizer que o país somos nós. Nós todos. Somos os trabalhadores, os jovens, os reformados. O país é feito desta gente toda, e pertence a esta gente toda. E a política serve para tomar decisões sobre a nossa vida, e sobre o país que tem de ser nosso. Isso significa que a política tem de ser de nós todos. Só assim ela será diferente.

Romper com o conformismo

A política não tem de ser feita de mentiras, de promessa e palavras vãs, de indiferenças e acomodações. A política pode mesmo ser diferente, pode ser ruptura e mudança. Pode ser ferramenta para construir algo. Um país mais justo, um futuro melhor, uma vida mais feliz.
Durante todo este tempo, muitos foram aqueles que responderam, responderam contra a injustiça, foram à luta – alguns pela primeira vez nas suas vidas. Em todos os momentos, esta força sempre lá esteve e continuará a estar ao seu lado. A nossa mensagem é afinal muito simples: a vida não tem de ser assim. A política não tem de ser assim. Há um outro caminho que é possível seguir, para uma vida melhor e mais justa.
Mas a nossa confiança no futuro, a nossa esperança que não fica à espera, assenta precisamente na confiança que temos nos trabalhadores e no povo, que construirão o futuro com as suas lutas. E nessas lutas sabemos muito bem de que lado estamos.
Este Domingo, cada um de nós tem algo de muito importante a fazer. Com mais um se pode ter mais força e se pode fazer a diferença. Com mais um se pode dar mais força a quem não desiste de lutar e de trabalhar por uma vida melhor para o povo. Não com mediatismos ou vedetas, mas com uma força coerente, verdadeiramente empenhada numa mudança a sério.
Este Domingo dia 27, assim como o dia 11, são dias de luta e de construção do futuro. Quando esta desesperança se abate sobre tanta gente, quando ouvimos dizer que “isto é mesmo assim, o que é que se há de fazer?”, quando nos tentam convencer que estamos condenados a este estado de coisas, é preciso dizer que Sim, É Possível uma vida melhor. É que, quando se rompe com o preconceito e o conformismo, e se olha ầ nossa volta com olhos de ver, descobre-se quem afinal esteve sempre ali ao nosso lado. E nessas alturas percebe-se que às vezes a esperança está mesmo onde menos se espera.


publicado por Ricardo Miguel às 23:10 | link do post | comentar | favorito

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