Quarta-feira, 19 de Agosto de 2009

 

19.08.2009
Helena Geraldes

 

A incineradora da Valorsul, em Loures, não tem capacidade para queimar o lixo dos seus municípios desde 2002, alertou hoje uma plataforma ambientalista. Este conjunto de associações não percebe, por isso, como conseguirá queimar o lixo da Resioeste, caso venha a acontecer a fusão destas duas empresas. O movimento critica o “silêncio ensurdecedor” do Ministério do Ambiente e a “falta de transparência” do processo.

A incineradora de São João da Talha (Loures) – que queima o lixo que não separámos e transforma-o em energia que é vendida à rede eléctrica nacional - volta a ser o pomo da discórdia no processo de fusão entre a Valorsul e a Resioeste. A acontecer este negócio será criado o maior sistema unificado de tratamento de lixo do país.

A falta de capacidade de queima da incineradora de Loures, de 2005 a 2007, já foi denunciada a 14 de Agosto pela Plataforma Ambiental de oposição à Fusão Valorsul-Resioeste (Quercus, Associação de Defesa do Ambiente e do Património de Loures e Movimento Pró-Informação para a Cidadania e Ambiente). Durante esse período, a Valorsul enviou para aterro “grandes quantidades de resíduos passíveis de incineração [mais de 130 mil toneladas por ano] (...), o que não teria seguramente acontecido caso a unidade da Valorsul tivesse capacidade disponível”.

No mesmo dia, a Valorsul e a Resioeste responderam, em comunicado, rejeitando as acusações. O menor volume de resíduos incinerados resultou, não da incapacidade da central de Loures mas de outros factores. Como a menor produção de RSU (resíduos sólidos urbanos), o reforço da recolha selectiva de embalagens, aumento da quantidade de matéria orgânica valorizada, especificidade de resíduos não passíveis de incineração (como os resíduos de varreduras e limpezas urbanas e os "monstros domésticos" - frigoríficos, sofás ou ferro-velho) e ainda as paragens operacionais de manutenção.

Incapacidade do incinerador já vem de 2002, diz a plataforma

Esta manhã, em conferência de imprensa, os ambientalistas denunciaram que essa incapacidade de queima acontece há mais tempo, desde 2002. “Os dados constantes no Relatório de Sustentabilidade da Valorsul indicam claramente que desde 2002 o incinerador daquela empresa não tem capacidade para incinerar todos os resíduos dos municípios servidos pela Valorsul, pelo que não poderá receber os resíduos da Resioeste”.

De acordo com os números apresentados hoje pela plataforma, desde 2002 até 2007, a Valorsul tem enviado para aterro mais de 140 mil toneladas de lixo por ano.

A plataforma insiste nestes números porque, lembra, um dos argumentos de base para a fusão das duas entidades é o de reduzir o volume de lixo depositado no aterro da Resioste (no Cadaval), transferindo uma parte para a incineradora de resíduos da Valorsul. Esta unidade terá uma “capacidade excedentária” e está sobredimensionada para os lixos dos cinco concelhos integrados no sistema, segundo a Valorsul.

Rui Berkemeier, do Centro de Informação de Resíduos da Quercus, lamentou ao PÚBLICO o “silêncio ensurdecedor” do Ministério do Ambiente. “O ministério não responde às nossas cartas, não fala. O seu silêncio começa a ser ensurdecedor, tanto mais que é a entidade que tutela as duas empresas”. Em comunicado, a plataforma critica o facto de o ministério ter apoiado a fusão “desconhecendo que a Valorsul não tem capacidade para incinerar os resíduos da Resioeste”.

Ministério garante capacidade para 2010

Hoje, o Ministério do Ambiente informou, em comunicado, que a informação da plataforma relativa a 2005 e 2007 é “totalmente falsa” e repetiu as explicações dadas pelas duas empresas a 14 de Agosto, sublinhando que o processo de fusão é da iniciativa dos accionistas das empresas e da EGF – Empresa Geral de Fomento e não resulta da “decisão ou pressão” do ministério.

Não obstante, garante que a central de incineração “disporá no ano de 2010 de capacidade excedentária para valorização energética de resíduos superior a cem mil toneladas”.

O ministério estranha “que aqueles que no passado se opuseram ao aterro no Cadaval pareçam agora estar contra uma alternativa que reduzirá o quantitativo de resíduos nele depositados”.

Actualmente, a Valorsul trata, por ano, cerca de 750 mil toneladas de resíduos sólidos urbanos produzidas pelos municípios da Amadora, Lisboa, Loures, Odivelas e Vila Franca de Xira. A Resioeste, que tratou 198 mil toneladas de resíduos em 2008, é responsável pelos municípios de Alcobaça, Alenquer, Arruda dos Vinhos, Azambuja, Bombarral, Cadaval, Caldas da Rainha, Lourinhã, Nazaré, Óbidos, Peniche, Rio Maior, Sobral de Monte Agraço e Torres Vedras.



publicado por Ricardo Miguel às 15:28 | link do post | comentar | favorito

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